Você sabe dizer se está em um relacionamento abusivo? Parece fácil não? Mas nem sempre é. Às vezes os sinais aparecem em pequenas coisas, e não são tão simples de serem identificados. Aquelas atitudes meio ciumentas que você tende a relevar, ou aquelas piadas sem graça que tem um cunho ofensivo, e no final, começam a limitar sua liberdade?

Mas como saber se não é normal isso? Se não é só uma brincadeira?

Sabe quando ele reclama do seu vestido mais curtinho e, do nada, começa proibir que você saia com certas roupas, ou com algumas pessoas, é um exemplo clássico de que a coisa está indo de mal a pior!

E como se não bastasse, seu parceiro começa a controlar a forma como você fala, suas atividades rotineiras e até mesmo o seu trabalho?

Cuidado, tudo isso pode ser um indício de relacionamento abusivo.

Mas eu não estou em um relacionamento hétero, também posso ser vítima? Sim, claro! Todo e qualquer relacionamento entre casais, tanto heteroafetivos, quanto homoafetivos podem se tornar abusivos, tanto de forma física quanto psicológica, chamadas de violência psicológica. Inclusive relacionamentos entre familiares.

Se você se identificou com esses sinais, não se sinta sozinha. A maioria das mulheres que passam por esses problemas não percebem de imediato onde pode chegar. Algumas até levam anos até perceber que estão em um relacionamento abusivo.

O mais visível é quando envolvem agressões físicas, mas nem todos passam por isso. Aí aparece outro problema: o abusador manipula tão bem sua parceira e as pessoas ao seu entorno, que a própria vítima se sente culpada, ou errada… ou quiça até a louca da relação.

Seguem as principais características:

  1. Manipulação

    Se o seu parceiro gosta de manipular, ou “brincar” com as suas emoções para deixá-la presa à rede dele, cuidado.

    Por exemplo, se ele realiza momentos de violência e carinho, faz com que a vítima ainda se sinta vinculada a ele, já que ele “não é tão ruim assim”; ou se após ameaças de término ou depois de uma atitude extremamente violenta, o parceiro diz que está arrependido e promete mudar; nisso, ele também diz que vai procurar ajuda psicológica e aumenta as esperanças da vítima. Porém quando o episódio termina, isso raramente acontece…

  2. Ciúme

    O nível de ciúme da sua relação chega à obsessão? Ele cuida das roupas que você veste, das suas amizades, muda o seu círculo social, até a ponto de controlar as suas visitas à sua própria família?

    Não há amor que justifique isso. Cuidado. A desculpa de “amar demais” é a mais comum, porém foge a esfera do romance. Você não é posse de ninguém, nem deve ser controlada por ninguém.

  3. Falta de privacidade

    “Quem não tem nada a esconder”, não vejo nada de mais nisso! Nãooooo…. Pára tudo! Isso é um ciúme obsessivo que pode ir além do que você imagina.

    Invasão do seu celular, whatsApp, Facebook… Nada disso é normal amiga. É mais uma característica de que o seu relacionamento não está em um bom caminho.

  4. Comportamento inapropriado

    “Dói, um tapinha não dói, só um tapinha… Dói”. Dói sim. E não é legal. Não é normal. Não é saudável. A vítima na relação é vista como posse, nesses casos. Por isso o parceiro abusador geralmente exige a relação amorosa quando ELE quer.

    É comum, inclusive, muitos casos de estupro silenciosos em relacionamentos abusivos. Ou seja, aqueles que ninguém presta queixa, ninguém comenta, não se leva adiante… Mas porquê? Porque as vítimas se sentem na obrigação. Forçar posições sexuais que você não quer e até a relação sem camisinha são formas de estupro, assim como chantagear e ameaçar para ter relação.

    Ah, mas no meu relacionamento, ele não quer fazer nada, quando quer alguma coisa! Pois é… essa também é uma forma de chantagem, a abstinência para manipular a vítima e conseguir o que deseja. Fique ligada!

  5. Dependência financeira

    Sabe quando seu parceiro não te apoia para a sua profissão? Ou pior, quando te boicota, tanto para manter-se em um emprego, estudar, ou na gestão do seu próprio negócio? E pior, não quer que os bens fiquem no seu nome, não trabalhe e fique em casa a cuidar dos filhos. Pois é… novamente, mais uma característica de um relacionamento abusivo.

    Se você conseguiu não se render às propostas tentadoras de ele te sustentar, e você “cuidar das crianças”, parabéns! Pois essa é mais uma forma de prender a mulher na rede do abusador. Caso contrário, cuidado. Tente se libertar dessa realidade…

  6.  Dependência emocional

    Sabe aquelas críticas infindáveis, com pequenos elogios intercalados? Comentários que te fazem pensar que tem sorte de alguém querer estar contigo? Pois é, é mais uma característica marcante do abusador é a de fazer com que a mulher se sinta totalmente dependente dele.

    Mas não fiquemos por aí, isso não se limita ao físico da vítima, é claro… Eles são capazes de mais, sempre! Podem atacar em aspectos intelectuais, psicológicos e emocionais. Comentários de que é “burra”, sem capacidade para cumprir tarefas, de que é “louca” ou “desequilibrada” são bem comuns em um relacionamento abusivo. Consequentemente, a vítima fica mais insegura, com baixa autoestima, ansiosa e até depressiva.

  7. Ameaça à integridade física

    Essas características são as mais visíveis aos olhos da sociedade e da própria vítima que ainda não tem nominado a relação que se encontra. Porém, “desculpas” não mudam os fatos, empurrões, tapas e socos. Nada justifica esse tipo de atitude. NADA.

    Ameaças a família da companheira, filhos e amigos também são características de um agressor desse tipo de relacionamento. Fique atento. Se uma amiga, ou você estão vivenciando isso, não releve. Ameaças podem se tornar realidade. Quem ama não magoa.

    E não caia nas ameaças de que se o relacionamento acabar, ele vai se auto flagelar. É mais uma forma de manipulação.

  8. Falta de apoio

    Não se assuste se você se sentir sozinha nessas situações. É comum as pessoas não levarem à sério as reclamações da vítima. Não desista. Não se entregue. Fale o quanto isso é real. Descreva o que relacionamos como características. Saia dessa. Você merece um relacionamento com respeito e valorização. O nível de manipulação do parceiro pode ser tão grande que até os terceiros podem ser enganados. Não há nada que justifique agressão, nem física, nem moral, nem psicológica. NADA. Não se entregue.

E agora, o que fazer?

Não desista. Saia desse relacionamento. Peça ajuda. Fale com a sua família e amigos, peça auxílio para que possa deixar a casa e se restabelecer. Denuncie. Busque grupos de apoio.


Imagem: Reprodução

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Nathi Cristi
Nathi Cristi é mãe realizada e esposa apaixonada, advogada e empresária como profissão e blogueira e modelo fotográfica nos tempinhos de folga!

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