Nos apegamos demais nos detalhes. O copo derrama por coisa pequena, sem importância. Para quem tá de fora é óbvio, tão fácil. Esses dias, na estação de ski, parou do meu lado uma família com duas crianças. O pai foi para a fila da lanchonete com o bebê no colo, enquanto a mãe ficou com o maiorzinho, tentando colocar a bolsa gigante em baixo do carrinho, com outros 613 itens.

Ela estava nitidamente estressada, o olhar, os movimentos, a respiração. O menininho, de pé ao lado dela, apontava para a pista de patinação. Ela o ignorava e lutava para colocar o gorro no garoto. Ele continuava apontando, pulandinho, e ela focada na guerra do gorro. O menino fugia, empurrava com a mão, apontava para a pista.

A mãe deu um suspiro, apoiou as mãos no carrinho, enfiou a cabeça entre os braços.
Vendo a cena, a minha vontade era dizer: 

Desencana da porra do gorro! Não gasta energia nisso! Tem capuz no casaco, a hora que ele distrair, você puxa. 

Olha pra pista, tem uma mulher dando piruetas. É só isso. Todo o seu problema, nesse momento, se resume a isso.

Não me leve a mal, eu entendo, sei que o gorro foi a gota d’água. Que antes do gorro deve ter tido o episódio do pão, das meias, talvez do tênis.

E eu te pergunto, quais dessas batalhas são essenciais e quais você luta no piloto automático? Luta porque um dia fizeram o mesmo com você, luta porque a “sociedade” te ensinou, luta porque o seu ego quer mostrar quem manda nessa birosca? 

Outro dia, a minha gota d’água foi porque a Zara, na hora de ir para a escola, colocou uma camiseta do lado avesso. E não queria arrumar, dizia que gostou daquele jeito. Estourei e só depois percebi o desgate desnecessário. Deixa a guria sair com a blusa do avesso! O que de mais grave poderia acontecer? Seria essa uma batalha pelo bem dela ou pela minha necessidade de controle? Duvido que ignorar a blusa do avesso afetaria a vida adulta da minha filha, seu caráter, sua personalidade. Tantas são as lutas inevitáveis, por que cismamos em adicionar batalhas desnecessárias? Melhor é guardar energia para os gorros que farão a diferença, aqueles que realmente valem a pena vestir. 


Por: Rafaela Carvalho 

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