A inveja nada mais é do que a irmã gêmea da falsidade. O mecanismo principal da inveja é o ódio e a raiva. Começa com a não aceitação, porque o outro chegou a “tal lugar” e você não, e, em seguida, vem a frustração, sentimento que leva ao ódio, à raiva e às ações premeditadas destruidoras de “puxar o tapete”. Inveja é um sentimento negativo e a pessoa sabe disso. Assim, projeta-o no outro com a intenção de se defender e não interiorizar este mecanismo negativo, já que o perturba e incomoda muito. O invejoso fica o tempo todo prestando atenção no outro e sempre fica de olho no erro… Seu objetivo é destruí-lo porque pensa que sempre lhe está fazendo sombra (é capaz até de mandar uma mensagem dizendo que alguém fez algo errado, mas nunca dará os parabéns). O invejoso perde tanto tempo se preocupando com o outro que se esquece de olhar o que ele tem de mais precioso e de bom, de conquistar seus próprios bens e valorizar quem está ao seu lado.

Como surge a inveja

A inveja é um sentimento que se firma na formação do caráter da pessoa, ou seja, desde a concepção do feto até os 7 anos de idade, quando a personalidade da criança está formada. Pode vir a aparecer também esporadicamente em alguma situação que vai eliciar o comportamento invejoso, podendo ser um sentimento transitório. A inveja pode ser reversível, dependendo do seu grau de severidade: leve, moderado e grave. É um sentimento muito negativo em todos os seus graus, sendo considerado por alguns o pior de todos eles. Muita gente não assume que sente isso por ser algo ruim. Entretanto, tudo depende de como a pessoa lida com esses pensamentos. Quem não deseja senti-la busca formas de control-la e amenizá-la. No grau leve, a pessoa invejosa pode até desejar que as coisas deem certo para o outro, desde que com ela estejam melhores. No grau moderado, a pessoa invejosa deseja que o outro nunca vá para a frente. Já no grave, o invejoso é ruim, vingativo, dissimulado e não gosta do trabalho, da labuta e de estudar. Até jogar na loteria ele não quer caso tenha que pegar uma fila. Ele quer que tudo caia do céu.

A inveja é natural no ser humano

A inveja é inerente ao ser humano, é uma característica da personalidade adquirida desde a concepção do feto, como já citei acima, sendo nutrida com todos os comportamentos vividos na infância. A grande maioria dos bebês enfrenta esse conflito, suporta a inveja e continua o seu desenvolvimento, formando registros e arquivos no inconsciente e estruturando sua base cognitiva. Quando há uma ocasião que chamamos de “gatilho”, que aciona os sentimentos até então arquivados, surgem as emoções e comportamentos nomeados invejosos. Sempre que o ser humano é colocado frente a alguém que ele acredita ter mais do que ele, a inveja pode ser acionada. Não se inveja apenas a prosperidade, mas também as capacidades contidas no outro. Sempre se inveja o que é bom, e, como dito acima, não existe inveja boa, já que esse termo está sempre relacionado à destruição, a tentar esvaziar as capacidades do outro, a esgotar suas conquistas.

Inveja, recalque e admiração

Existe também um sentimento chamado admiração. Neste, não existe ódio nem raiva. A palavra admirar vem do latim e que quer dizer olhar para, dirigir, direcionar o olhar para algo que nos chama a atenção ou surpreende. Admirar algo ou alguém é olhar para este objeto ou pessoa com olhos maravilhados. Alguns invejosos tentam se passar por admiradores, usando a expressão “inveja branca”, mas a inveja faz mal para os dois lados: é um sentimento intoxicante, um pequeno furto de energia. Já na admiração, você apenas celebra o que o outro é ou tem, sem querer pra si. Existe também o recalque, que é uma evolução da inveja. É uma inveja ousada, que provoca. E tudo o que a pessoa não tem, não pode e nunca será acaba sendo desprezado, zombado, humilhado e destruído.

Inveja tem relação direta com inferioridade

A pessoa que sente inveja reflete uma determinada inferioridade intermediada por certa maldade. A inveja seria, popularmente falando, a arma dos “incompetentes”. Algumas vezes a inveja é confundida com o ciúme. Porém, o ciúme corresponde a uma relação em triângulo, uma vez que, ao ver seu amado flertar com outra pessoa numa festa, uma mulher teme perder homem. A inveja também é considerada um verdadeiro veneno social. Dizem que tanto quem sente quanto quem é o alvo da inveja são prejudicados. Não há quem não saiba o que é sentir ou despertar inveja. A outra face da inveja é a critica. O invejoso sempre descobre o lado B de alguma coisa. “Seu texto é bom, mas está mal digitado.” “Como você teve coragem de publicar isso?”. “Ah, você está muito velho para se exibir assim”. “Seu vestido é lindo, mas a cor não cai be mem você!” “Seu filho ficou entre os primeiros no vestibular, mas, com tanto dinheiro gasto, pudera!”


Por Erika Ricci – psicóloga

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